Delegacia da Mulher vai apurar importunação sexual em reality show
Ministério das Mulheres afirmou que violência não é entretenimento
Radioagência Nacional - Por Priscila Thereso
Publicado em 20/01/2026 18:06
Direitos Humanos
© Joédson Alves/Agência Brasil

A Delegacia de Atendimento à Mulher de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, instaurou procedimento para apurar um episódio de violência contra uma participante de um programa de TV ocorrido no último domingo.  

Os agentes investigam o caso como possível importunação sexual. A Polícia Civil informou que vai analisar as imagens do reality e que o ex-participante que cometeu a violência será convocado para prestar depoimento.  

Em nota divulgada nesta segunda-feira (19), o Ministério das Mulheres manifestou preocupação com o episódio e reforçou que "a violência contra as mulheres ocorre em todos os espaços, sejam eles públicos ou privados e não pode ser naturalizada, relativizada ou tratada como entretenimento".  

Para a diretora da OAB Mulher no Rio de Janeiro, Flavia Pinto Ribeiro, o episódio no programa de reality show não foi de assédio...  

“Na verdade, o assédio se dá em ambiente onde há uma hierarquia. Pessoa que se vale do seu posto de trabalho, de sua função, de uma pessoa hierarquicamente menor do que ela, para conseguir favores sexuais. E aí, o que aconteceu no Big Brother, na verdade, foi o crime de importunação sexual. Quando o agente pratica atos libidinosos. Pode ser um toque, pode ser um beijo forçado. Pode ser até mesmo uma cantada, sexualmente falando, pode ser enquadrada como importunação sexual”.

Flavia afirma que os casos de violência contra as mulheres não devem se naturalizados e que elas devem denunciar.

“Isso que acontece é uma cultura e as mulheres, muitas vezes, nem entendem o que está acontecendo ali, porque acham que é uma situação normal que, historicamente, a gente aceita. Como o homem pegando, o homem beijando sem a gente querer. Elas (mulheres) têm que entender que isso é crime e elas têm que denunciar”.

As denúncias podem ser feitas nas delegacias da mulher em todo o país, defensorias públicas, além da Central de Atendimento à Mulher, no Disque 180, canal gratuito para denúncia e orientação.

Procurada, a TV Globo não se manifestou. 

Fonte: Radioagência Nacional
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